Foto: Gil Vicente/DP/D. Depois de muitos anos sem tocar, o sanfoneiro estreia novo momento no show desta noite, no Shopping Paço Alfândega, a partir das 19hPor Michelle de Assumpção nascença. José Muniz da Fonseca era um dos mais afoitos. Novo disco, Romeiros do destino, traz colaborações de amigos como Xico Bizerra, Maciel Melo e Petrúcio Amorim. A pressa oos dez anos, convenceu seu pai a lhe presentear com uma sanfona. Muniz começou a aprender sozinho os sucessos de Luiz Gonzaga. Seu talento já era conhecido pelas imediações do Sítio Pau D'Arco, divisa de Pernambuco e Zona da Mata paraibana, onde nasceu, mesmo que seu registro seja de Macaparana, Mata Norte de Pernambuco. "Era mais perto registrar em Pernambuco que na área urbana de Salgado, na Paraíba, onde ficava o sítio", explica. Aos onze anos, já dominando o instrumento, foi com o irmão, Neném, tocar na feira para ganhar alguns trocados. "Era pequeno, mas via que tinha que ajudar a família, meu pai também estava perdendo a visão e eu sentia que ele não ia aguentar muito tempo na roça", conta Muniz. Ele se transformou em Muniz do Arrasta-Pé, com umasanfona bonita e disco gravado. O mais novo chama-se Romeiros do destino e foi feito com a ajuda de amigos, que participaram cedendo músicas conhecidas. O título é homônimo à faixa dois, de autoria de Xico Bizerra. Muniz também gravou Nos tempos de menino (Maciel Melo e Virgílio Siqueira), A canção do sabiá (Israel Filho), Meu cenário (Petrúcio Amorim), Se tu quiser (Xixo Bizerra), A natureza das coisas (Accioly Neto), entre outras pérolas do pé-de-serra pernambucano. Depois de muitos anos sem tocar, o sanfoneiro acredita que a maré vai virar ao seu favor. O show desta noite será a estreia deste novo momento. Muniz toca e canta no Shopping Paço Alfândega, a partir das 19h, na programação da Feira de Turismo Acessível de Pernambuco, promovido pelo Instituto Muito Especial, do Rio de Janeiro. Ao seu lado estará o parceiro inseparável, amigo e irmão Neném. Neném, quando Muniz foi para as feiras, ainda menino, também o acompanhou. Tocava zabumba, naquele tempo chamada de melê. "Era uma lata grande de leite, com couro amarrado na borracha". Neném viu a surra de Muniz tomou do pai, que tinha lhe avisado que "filho dele não pediria esmolas na feira. Só que, naquele mês, os meninos já tinham conseguido na feira o que o pai nunca vira na roça. Resultado: o pai aprovou e passou a acompanhar os filhos. Até os 18 anos Muniz tocou por tudo quanto foi feira do interior da Paraíba e Pernambuco. Depois, conheceu uma amiga que o trouxe para o Recife. Foi "adotado" pelo Instituto de Cegos. O pai, que não queria que ele entrasse no mercado das feiras, não queria mais que ele saísse. E novamente Muniz desobedeceu. Largou a feira, veio pro Recife; com quinze dias sabia ler e escrever em braile. Sua inteligência conquistou os médicos do instituto que, aos poucos, foram permitindo a vinda de todos os irmãos cegos de Muniz. Depois, com o pai e a mãe já morando no Recife, outra formação dos irmãos forrozeiros foi montada. Até que um dia, um dos irmãos, justamente o que era produtor e empresário da banda, largou tudo e provocou o fim dabanda. Muniz ficou quatro anos afastado da música. Apenas com seu emprego, no setor de Raio X do Hospital Agamenon Magalhães, onde trabalha até hoje. Foram muitas andanças até conseguir tocar outra vez. Abraços do seu cantor de forró pé de serra,Muniz do Arrasta-pé
O Forró expande os horizontes da visão - Folha de Pernambuco, 06/04/2009Talentos como o dos americanos Ray Charles e Steve Wonder servem de resposta para os que acreditam que a deficiência visual é um obstáculo intransponível para a música. Guardadas as devidas proporções, claro, o Brasil já possui um bom exemplo para se orgulhar nessa seara. Trata-se do forrozeiro Muniz do Arrasta-pé, paraibano que nasceu com deficiência visual e aprendeu a tocar sanfona para ajudar o pai no sustento da casa e dos seus outros seis irmãos. O sanfoneiro - que iniciou a carreira num trio de forró com dois irmãos, percorrendo o circuito de feiras pelo interior do Nordeste - agora lança o disco “Romeiros do Destino”, recheado de composições de: Virgílio Siqueira, Xico Bizerra, Accioly Neto, Júnior Vieira, Israel Filho, Nando Cordel, Petrúcio Amorim, Anchieta Dali e Maciel Melo. O álbum ainda conta com a participação especial da voz de Cristina Amaral e de Xico Bizerra, além das contribuições vitais das sanfonas de Genaro e Cezinha do Acordeon. Como o nome artístico de Muniz sugere, o disco é voltado para um estilo de forró mais tradicional. Nele, busca-se a singularidade do ritmo nordestino a partir da sonoridade harmônica do trio triângulo, zabumba e sanfona; apesar da presença da guitarra e do contrabaixo. Destaque para o potencial dançante da faixa “Doido pra te amar”, de Nando Cordel e “Se tu quiser”, com a delicadeza da voz de Cristina Amaral.
Acesso ainda é coisa rara!
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