ÍNDICE

1. O COMEÇO DE TUDO
2. A CRIAÇÃO DOS FILHOS
3. A PREOCUPAÇÃO DE JOSÉ
4. O INÍCIO DA SUA VIDA PÚBLICA
5. SEU ADÉLIO MUDA DE IDÉA
6. A TROCA DO INTERIOR PELA CAPITAL
7. A VINDA DA FAMÍLIA INTEIRA PARA A CIDADE GRANDE
8. O PRIMEIRO EMPREGO
9. O PRIMEIRO TRABALHO EM CD
10. A FAMA
11. A PERDA DE MUNIZ
12. A RETOMADA DO SUCESSO
13. MUNIZ HOJE?

O COMEÇO DE TUDO

Um dia, lá no Sítio Paud'arco, município de Salgado de São Félix, interior da Paraíba, dois jovens se casaram. Eram eles: Adélio com 26 anos e Eurides com 24 anos de idade.
Isto se deu no trigésimo dia do mês de Abril do ano 1964.
Após um ano e nove meses, nascia o primeiro filho do casal. Um menino que lhe foi dado o nome de (José.)
Depois do menino começar a engatinhar, seus pais perceberam que a criança não enxergava.
Um ano após, nascia outro filho. Desta vez uma menina que por sua vez recebeu o nome de (Judite) Como o primeiro, ao engatinhar, perceberam que a menina também não enxergava.
Mas, a história continuou.
Depois o casal teve o terceiro filho, que recebeu o nome de (Domingos Sávio) que mais uma vez, também nasceu sem enxergar.
Chegou a vez do quarto filho, outro menino (Severino) que também veio sem ver.
Aí veio o nascimento do quinto filho, outra menina. Que foi batizada por (Maria Aparecida) não sei explicar, mas, a menina também nasceu sem enxergar.
O sexto Vera Lúcia e o sétimo Mauricéa, nascerão perfeitos.

A CRIAÇÃO DOS FILHOS:


Seu Adélio e Dona Eurides, criarão os sete, sem diferenças. De modo, que todos receberam o mesmo tratamento. Do mais velho ao o mais novo.
Até os dez anos de idade, eles viam um pouco. mas, não dava para fazer nada com a vista. Então já de criança começaram a usar o tato para fazer as coisas.
José, gostava de pegar passarinho, brincar de carro de ladeira, varrer o terreiro e lavar pratos.
Judite, de varrer casa e cuidar dos irmãos mais novos, enquanto dona Eurides estava na Roça com Seu Adélio.
O trabalho era enfadonho, mas gratificante.
Ali, havia de tudo:
Feijão, arroz, farinha, batata doce, inhame, café, jaca, manga, banana, jerimum, tomate, cebola, goiaba, maracujá, etc.
A gente era feliz e não sabia!

A preocupação de José

Ainda aos nove anos de idade José tentou estudar mas a pouca visão que lhe restava dificultou o seu ingresso na escola.
Então, uma professora que era considerada madrinha dos sete, (Madrinha Alberina,) recortou o alfabeto em uma cartolina fazendo assim ele conhecer o formatos das letras através dos dedos.
Aos dez anos de idade mesmo ainda criança, já começava a perceber as dificuldades enfrentadas pelo seu pai para manter os filhos, pois o mesmo também estava começando a perder sua visão.
Então pensou em uma maneira de ajudar o velho e seus irmãos.
Foi assim que surgiu a idéia de aprender tocar instrumentos musicais e revelou ao seu genitor esta disposição.
Sem que o menino soubesse, Sr Adélio combinou com um amigo para trazer uma sanfona de 32 baixos. Logo após o amigo cumpriu o combinado.
As cinco horas do dia 1 de junho de 1976 (Segunda-feira,) José estava dormindo em uma rede, na sala de sua casa, quando acordou assustado com o som de uma sanfona porque (nunca havia escutado o instrumento de perto, apenas através do rádio).
Levantou da rede correu para a cozinha e perguntou: "Mãe, o que é aquilo?" ela respondeu: "É uma sanfona que teu pai vai comprar pra tu!"
Naquele momento ele vibrou de alegria.
Depois de muita conversa, porque o dono da sanfona pedio uma volta em dinheiro muito alta, chegarão em um acordo e o pai de José trocou a sanfona em um relógio e um rádio que estava a muito tempo sem funcionar.
Naquele dia José lançou mão do instrumento e imediatamente, não aceitando as aulas do sanfoneiro que fez a troca com seu pai, começou a executá-lo sozinho Com desejo tão grande de tocar que até ao anoitecer ainda nem se quer tinha almoçado.
Um ano depois, José já executava as músicas de Luiz Gonzaga e outros artistas da época!

O INÍCIO DA SUA VIDA PÚBLICA

Todavia, José começou a pensar: "Já sei tocar alguma coisa, mas como poderei ajudar meu pai a nos sustentar?".
Após, ter refletido muito, o menino de onze anos, tomou uma decisão e resolveu falar com o velho pai dizendo-lhe:
"Papai, já sei tocar alguma coisa, vou fazer um melê" (instrumento que foi substituído pelo Zabumba) para meu irmão Sávio me acompanhar, e vou tocar na feira com ele, na intenção de ajudar o Sr nas despesas da casa".
Quando seu pai escutou a proposta repreendeu-o com rigor: "De jeito nenhum! filho meu pedir esmolas...?! Pra mim é preferível morrer Todos de fome e cegos, mas tocar na feira não!"
Mas José que até hoje é insistente por natureza, mesmo com a severidade do seu pai, não desistiu da idéia e foi contar o ocorrido a sua mãe que o deixou a vontade para tomar qualquer decisão.
No sábado seguinte José, aproveitando que seu pai estava na mata pegando lenha, chamou seu irmão, colocou o "melê" e a "sanfona" dentro do saco e foi para a feira de Pirauá. (Lugarejo que fica na divisa de Pernambuco e Paraíba.)
Sentou no meio fio, botou uma bacia entre ele e seu irmão e os dois começaram a tocar.
Por volta das nove horas da manhã, o povo que se encontrava na feira do pequeno lugarejo estava todo em volta das duas crianças e a bacia cheia de dinheiro.
Como as crianças eram muito pequenas, foram levadas por amigos, para cima de um caixote de tomate em frente do mercado que era mais largo, com a intenção de serem vistas por todos.
Quando seu pai chegou da mata, procurou pelos dois e quando percebeu que eles tinham ido tocar na feira colocou o pé no caminho bufando de raiva. Algumas horas depois, chega seu Adélio, pai dos meninos, e como José havia desobedecido suas ordens, ele chegou quase a pendurá-lo pelas orelhas, com sanfona e tudo, dizendo: "Eu disse que não era para vir pedir esmolas?!"
O povo que estava assistindo as crianças caíram em cima dele dizendo: "Eles não estão pedindo esmolas! você devia agradecê-los, pois esse é o trabalho que eles podem fazer.
Então conseguiram convencer seu Adélio e os músicos mirins voltarão a tocar.
"Neste dia, no fim da feira, os dois irmãos conseguiram ganhar noventa e sete contos de réis.
Pagaram dois contos por um lanche e com noventa e cinco restante, sua mãe comprou uma parelha de roupa para cada um dos sete filhos e o restante fez uma feira que deu para passar o mês inteiro.

SEU ADÉLIO MUDA DE IDEA

Com esse resultado, o pai dos pequenos artistas mudou de idéia e resolveu acompanhá-los em outras feiras do estado da Paraíba e parte de Pernambuco.
Foi aí que um outro irmão dos dois aprendeu tocar "Triângulo", formando assim um trio: José na sanfona, Sávio no melê e Nenên no triângulo.
O trio viajava, acompanhado por seu pai, durante meses sem voltar em casa. Apenas mandando notícias pelos seus vizinhos que iam encontrando nas feiras onde se apresentavam.
A vida não era fácil, dormiam na casa dos outros e na maioria das vezes terminavam a feira sem almoçar, com o objetivo de poupar o dinheiro que arrecadavam, que era para as despesa da casa.
Muitas veses iam dormir até sem jantar. Pois, onde estavam os donos da casa já tinham jantado e não queria se levantar para fazer janta pra quem chegava após as vinte horas da noite. Era uma vida dura, difícil e humilhante.
Até os dezoito anos a vida de José e seus irmãos era essa.

A TROCA DO INTERIOR PELA CAPITAL

Seu pai já estava acostumado com esta vida. Mas, José queria algo mais. Foi quando no mês de Maio de 1984, foi convidado a participar de um evento religioso em Macaparana onde ele conheceu novas pessoas.
José desobedeceu seu pai mais uma vez, indo morar na cidade de Macaparana, interior pernambucano, na casa do seu tio, onde conheceu a amiga Ângela, que lhe fez uma proposta de ir estudar no Instituto de cegos do Recife.
Mas uma vez seu pai não concordou com a idéia dizendo: "Casa dos outros não tem o que dar! eu nunca ouvi dizer que cego pudesse estudar"...
Mas, José sabendo do seu potencial, fez uma campanha na cidade conseguindo agasalhos, dinheiro, etc.
No dia 27 de setembro 1984, as 11 horas e 30 minutos da manhã (uma Quarta-feira,) embarcou trazido pela amiga Ângela, acompanhado ainda do seu tio (bibio) e a amada (madrinha Alberina),
Sendo recebido pelo então diretor do Instituto Sr. Zacarias Pinheiro de Melo.
Daí em diante, os seus colegas começaram a chamá-lo de Muniz. Pois, havia muitos José no educandário.
Uma semana após, Muniz já sabia ler e escrever pelo sistema Braille.
Entusiasmado com sua inteligência e aconselhado por alguns professores, o diretor do instituto mandou buscar seus dois irmãos, no dia 15 de outubro do mesmo ano.
Os mesmos que o acompanhavam nas feiras do interior e assim começaram a tocar em clubes e festas particulares da cidade do Recife, Diferentemente de algum tempo atrás quando não eram contratados.

AVINDA DA FAMÍLIA INTEIRA PARA A CIDADE GRANDE

No dia 02 de Fevereiro de 1985, Muniz foi buscar suas duas irmãs que também não enxergam, e ainda estavam no sítio para se juntarem a ele e os outros dois, no colégio.
E em 08 de Junho de 1988, trouxe seu pai e sua mãe juntamente com as duas irmãs mais novas para morarem definitivamente em Recife.
Sempre se dedicando a música e os estudos, e obedecendo as ordens do educandário, Muniz sempre queria mais.

O PRIMEIRO EMPREGO

No ano de 1988, começou a fazer um estágio no Hospital Agamenon Magalhães onde em 01 de Junho do mesmo ano teve sua carteira de trabalho assinada pela a primeira vez.
Em 1993, fez um concurso do estado para auxiliar de câmara escura que ofertava trinta e seis vagas.
Muniz concorreu com mais ou menos quatro mil candidatos e ficou na décima segunda colocação. Assim, continuou trabalhando no mesmo hospital onde estar até hoje.

O PRIMEIRO TRABALHO EM CD

O trio já acalentava o sonho de gravar seu primeiro CD, mas não havia conseguido dinheiro. Nem através de empréstimo.
Mas, em 1995, com o apoio de uma Ong, que não foi muito verdadeira pois usou para conseguir dinheiro como doação e acabou aproveitando-se da ingenuidade dos meninos, conseguiram gravar o primeiro trabalho com tiragem de 1.000 (mil) cópias.
O CD recebeu o título de "Rotina do Sertão", e foi lançado em 1997 com doze faixas, das quais nove são de autoria do próprio Muniz.
Uma dos compositores Alcymar Monteiro em parceria com Petrúcio Amorim, outra de Petrúcio Amorim e Jorge Silva do Recife e a última do Saudoso Gildo Soares. (Professor de música teórica do instituto na época.)
O trio havia recebido nome de: "Grupo Arrasta-pé" (nome dado pela professora Nilza Pessoa que não está mais entre nós.).

A FAMA

No mesmo ano, o grupo fez muito sucesso na capital pernambucana e também no interior, fazendo shows nas melhores casas, se apresentando em rádios, televisões e sendo manchete nos três principais jornais do estado de Pernambuco.
Ao ponto, de não precisar correr atrás de shows. Os que desejavam o grupo o procuravam.

A PERDA DE MUNIZ

Em 2000, seu irmão Sávio, que já havia trocado o melê pelo zabumba, e que tinha sofrido o calor das feiras junto com eles, e que cuidava da divulgação sendo empresário do grupo e também divulgador, resolveu abandoná-los.
Com essa perda, Muniz ficou um tanto atordoado e pensou até em desistir da carreira. Passou dois anos parado sem gravar nada.
Mas seu irmão Nênem que até hoje é seu melhor amigo, trianguista, começou a incentivá-lo a continuar buscando seu sonho de um dia fazer sucesso como artista.
Foi que Muniz decidio seguir sua carreira "Solo", adotando o nome de "Muniz do Arrasta-Pé", partindo novamente para a luta com muita fé, trabalho e a determinação de sempre.

A RETOMADA DO SUCESSO

Com muito esforços, Muniz consegui-o uma quantia emprestado em um banco, gravou outro CD, o segundo da carreira e o primeiro "Solo".
Mas, o seu irmão que lhe deixou foi fazendo um grande estrago em sua vida profissional.
Quando ele chegava nas rádios com o cd de baixo do braço, a pergunta era uma só: "Cadê Sávio?"
Quando ele começava explicar, davam-lhe as costas. Muitas veses iam embora chorando.
Além de seu irmão ter ido embora levando tudo, levou também a credibilidade.
Mas, Muniz é duro na queda e não desistiu.
Mesmo sem saber nem como falar para conseguir um show, ele conseguio amizade na secretaria de cultura da cidade de Recife, que no ano de 1995 lhe deram um show em um lugar escondido que só tinha mato e sapo para lhe ouvir.
Mas, Muniz foi fazer o show com toda humildade como se estivesse cantando para dez mil pessoas.
Em 1996, a prefeitura lhe deu dois shows e ele conseguio quebrar o tabu da imprensa e fez mais 5 shows particulares.
Em 1997, Muniz montou uma banda com Doze pessoas (ele e mais onze.)
Daí, a sua mulher começou com ciúmes porque tinha mulheres na banda e o seu irmão vendo que ele não tinha caído, começou trabalhar para lhe derrubar.
Ainda, o seu irmão que havia lhe deixado, ligava para as rádios marcando entrevista em seu nome sem que ele soubesse.
Quando Muniz menos esperava a emissora ligava perguntando se ele estava chegando para a entrevista.
E Muniz dizia que não estava sabendo.
Quando ele viu que não conseguia derrubar Muniz, acabou com a banda dele e saiu do Estado.
No mês de novembro do ano de 2007, Muniz participou da trilha sonora do filme (Itairé na Praia.) Que foi exibido pela Fundação Jaquim Nambuco.
No ano de 2008, Muniz está com muitos projetos como: participar de outro filme, fazer shows fora do estado, gravar outro CD com músicas alegres, escrever em uma revista entre outras ideas.

COMO É O MUNIZ HOJE?!

Como já foi dito, no momento, Muniz tem uma banda com doze componentes inclusive dançarinas.
Fez o São João de Recife com muito sucesso.
levando para o palco um show dançante e emocionante com insenações românticas e distribuição de rosas para o público,
que vai ao delírio do começo ao fim, deixando o pequeno artista muito feliz.
Já gravou um dvd demonstrativo.
Muniz quando perguntado se valeu a pena, ele responde que começaria tudo outra vez se preciso fosse.

Contatos: (0xx81)9604-4870

e-mail: cantor@munizdoarrastape.com.br

site: http://www.munizdoarrastape.com.br

OBS: Divulgue para todos esta história de luta

Em minha opinião, esta é uma demostração de luta, trabalho, determinação e fé em Deus.

José Muniz da Fonseca

(Muniz do Arrasta-pé)


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